Associação Basquetebol de Castelo Branco
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Notícia

ABCB ''TALKS'' - ENTREVISTAS \\ STEVE OLIVEIRA
Thu, Jun 25, 2020 10:38 AM
A AB Castelo Branco esteve à conversa com o Treinador da AB Albicastrense, Steve Oliveira, na continuidade do projeto ABCB ''TALKS''.

Steve Oliveira,

 

Associação de Basquetebol de Castelo Branco - Está há muitos anos ligado ao Basquetebol. Primeiramente como Jogador e depois como Treinador. Como surgiu o Basquetebol na sua vida? Pode fazer-nos um breve resumo do seu percurso na modalidade?

Steve Oliveira - Desde de pequeno que pratiquei vários desportos, mas gostava principalmente de jogar futebol. Fui federado na Austrália até aos meus 14 anos. Também jogava basquetebol, mas pela escola. Quando cheguei a Portugal continuei a jogar o desporto rei, até que uns amigos me convenceram a ir a uns treinos de basquetebol pelo Sangalhos, antes das férias de verão. Mesmo sabendo que tinha mais jeito para jogar basquetebol que futebol, não foi fácil escolher o basquetebol, mas ainda bem que o fiz, uma vez que foi o basquetebol que me fez gostar de estar em Portugal. Durante os quatro anos seguintes vivi o basquetebol em pleno, pondo os estudos em segundo lugar (não foi, talvez, a melhor ideia, mas fui conseguindo conciliar a duas coisas). Cheguei à equipa senior, que na altura estava na liga profissional. Foi um sonho que consegui alcançar, mesmo tendo sido de pouca dura uma vez que fiz uma rotura de ligamentos no joelho a meio da época. No ano ano seguinte entrei na Escola Superior Tecnologias de Castelo Branco e foi precisamente aqui que comecei a jornada de treinador. Entrámos no torneio da cidade e foi aí que conheci o Tiago Machado que por sua vez me fez o convite para ir treinar no Desportivo de Castelo Branco. Poucos anos depois e juntamente com os treinadores Rafael Belo, Gustavo Matos, Pedro Roxo, Tiago Machado decidimos fundar a Associação de Basquetebol Albicastrense, onde sou treinador atualmente.

 

ABCB – Desde 2005 que é Treinador no distrito de Castelo Branco. O que nos podes dizer acerca da evolução do Basquetebol na região? Quais foram as grandes diferenças que se verificaram durante 15 anos?

SO - O principal diferença, na minha opinião, tem que ver com os treinadores. Creio que existe uma maior preocupação na formação de treinadores. Frequento o Clinic Internacional de Cantanhede há pelo menos 10 anos e durante algum tempo éramos poucos treinadores do distrito a assistir. Hoje em dia já somos mais, creio que já existe uma maior preocupação com a formação. Outro aspeto que acho que melhorou foi a comunicação entre treinadores, que hoje é mais comum. Já não existe aquela ideia de que não devemos falar com outros treinadores. Gosto de trocar ideias, confesso que no ABA gostaria de o fazer mais, mas por motivos profissionais e de gestão de tempo não tem sido possível.

No que diz respeito aos jogadores, temos gerações. Um clube pode ter um escalão de uma geração de jogadores que ao longo dos anos é muito competitiva e para conseguir outra geração de jogadores a fazer o mesmo pode demorar 5 a 10 anos, uma vez que a quantidade de jogadores no nosso distrito é bastante inferior a outros distritos, nomeadamente Lisboa, Porto e Aveiro.

Temos visto alguns jogadores do distrito serem chamados para treinos de observação da seleção nacional e, inclusivamente, uma jogadora que tem sido regularmente chamada à seleção nacional, que pode ser um bom incentivo para outros jogadores alcançarem o mesmo feito.

 

ABCB – Sendo um dos fundadores da AB Albicastrense, e com a exceção de uma breve passagem pelo sector masculino, sempre foi Treinador de equipas femininas. Podia dizer-nos como surgiu o projeto da AB Albicastrense e o porquê de se ter fixado no sector feminino? Ou será que ainda o poderemos ver, no futuro, a treinar equipas masculinas?

SO - O ABA surge por causa de 5 pessoas que vivem o basquetebol. Queríamos que a modalidade fosse mais vista na cidade, e não há melhor forma para fazer isso do que fundar um clube.

Não planeei inicialmente ser exclusivamente um treinador de escalões femininos. É que já lá vão tantos anos que uma pessoa acostuma-se. Para mim, o mais importante é treinar e nunca fiz questão de exigir treinar aquele ou aquela equipa. No geral, em todos os desportos, é dada maior importância e destaque ao masculino que ao feminino, o que passa aquela a ideia de que o basquetebol para elas não poderá passar de um passatempo e não é para ser levado a sério, isto é, elas nunca poderão fazer vida disto. Gostaria de mudar esse conceito nelas, faço questão de transmitir às minhas jogadoras que depende apenas delas. Confesso que não tem sido fácil. Faço a minha parte, levando o treino preparado para ajudar dentro daquilo que eu sei, para que elas consigam. Se não o fizesse, não estaria a ser justo com elas e, na minha opinião, e sem querer ferir suscetibilidades, não passava de um babysitter.

Houve uma altura que equacionei a hipótese de treinar uma equipa masculina, mas de momento não. Gostaria de continuar este projecto pessoal de levar o basquetebol feminino jovem para além de um passatempo.

 

ABCB – É também Selecionador Distrital, no sector feminino, há muitos anos. Qual é o balanço que faz sobre o seu percurso nas Seleções Distritais e que evolução é que as mesmas tiveram ao longo o tempo? Consegue dizer-nos qual é o melhor momento que recorda enquanto Selecionador?

SO - Vejo as seleções como algo fundamental para os jovens jogadores do distrito. É uma oportunidade para competirem com os melhores do país e permite que eles vejam o nível deles em relação ao nível de jogadores de outras seleções, para além das novas experiências que tiram deste evento. Nos últimos cincos anos tivemos sempre pelo menos um escalão na divisão A, o que é bastante positivo e também ajuda a mudar a mentalidade de que Castelo Branco vai apenas para participar, mas sim para competir. E ao longo dos últimos anos temos mudado esta visão.

Guardo na memória dois ou três momentos da Festa do Basquetebol. O primeiro foi quando fui treinador principal de uma equipa pela primeira vez, neste caso as Sub. 16 Feminino. Agradeço ao António Sena por me ter dado a oportunidade. Confesso que estava muito nervoso e também era um treinador muito inexperiente, mas compensava com a vontade de dar sempre o melhor. O que me marca desta equipa era a união e o espírito de sacrifício de todas as jogadoras em campo. Duas jogadoras desta equipa, a Andreia Jesus e Patrícia Quelhas, são também selecionadoras hoje, para além de serem treinadoras nos respectivos clubes.

O momento mais marcante desse ano foi ter conhecido a minha mulher, que era treinadora adjunta da equipa. Ouvi durante muitos anos que o basquetebol não me ia trazer nada. Trouxe-me a minha mulher. :)

O sétimo lugar alcançado em 2017 com a seleção de sub 14 feminina foi outro momento marcante. Não perdemos um único jogo. Uma geração de jogadoras que provavelmente apenas aparecerá daqui a 10 anos outra vez. Foi uma equipa de jogadoras talentosas individualmente e, mais importante, uma equipa unida, fruto do bom trabalho nos clubes e também das próprias jogadoras.

 

ABCB – Nesta fase de inatividade com que nos deparamos, que mensagem é que gostaria de deixar a todos os agentes da modalidade, em especial aos nossos Jovens Basquetebolistas?

SO - Para terem paciência e aproveitar este tempo que têm com a família da melhor forma.